
Já é seca no sertão, e mais uma vez podemos tristemente ver a miséria de milhares de brasileiros, que principalmente durante esse período, passam fome e sede. Quase não chove, e quando ela vem, mostra que o sertão possuiu o menor índice pluviométrico de todo o país.
Proprietários rurais perdem sua lavoura, o gado, e a maioria dos animais morrem. O homem, quase não tem o que beber, e tem em sua frente duas opções: Ser obrigado, a beber água da lama, que com sorte encontraram de tanto cavar, ou morrer de sede. O calor é agonizante, insuportável. A saída é a esperança, de dias melhores, e a esperam na sombra que encontram nos lados de suas humildes casas. Por que das árvores, não existe mais. Ou de tão magro, caberia na sombra de um galho seco.
A alma do nordeste cantou sua história: “Eu perguntei a Deus do céu por que tamanha judiação, que braseiro, que fornalha, nenhum pé de plantação, por falta d'água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão...” e assim cantou, e representou tão bem os nordestinos, pernambucanos e sertanejos, o bom, e velho Luíz Gonzaga, que como disse Euclides da Cunha, antes de tudo, foi forte. Sofreu e chorou, mas lutou, e não desistiu. E assim é o sertanejo. Não desiste da vida, mas encontra força na esperança, e muitos vencem. Por que também são fortes. Fortes, como mandacaru, que alimenta, embeleza com suas flores, e às vezes cura. Tão forte, que resiste as secas, mesmo as mais intensas e duradouras.
Leila Lima



