terça-feira, 29 de março de 2011

Na tristeza, a esperança. No sertão, o mandacaru

Já é seca no sertão, e mais uma vez podemos tristemente ver a miséria de milhares de brasileiros, que principalmente durante esse período, passam fome e sede. Quase não chove, e quando ela vem, mostra que o sertão possuiu o menor índice pluviométrico de todo o país.
Proprietários rurais perdem sua lavoura, o gado, e a maioria dos animais morrem. O homem, quase não tem o que beber, e tem em sua frente duas opções: Ser obrigado, a beber água da lama, que com sorte encontraram de tanto cavar, ou morrer de sede. O calor é agonizante, insuportável. A saída é a esperança, de dias melhores, e a esperam na sombra que encontram nos lados de suas humildes casas. Por que das árvores, não existe mais. Ou de tão magro, caberia na sombra de um galho seco.
A alma do nordeste cantou sua história: “Eu perguntei a Deus do céu por que tamanha judiação, que braseiro, que fornalha, nenhum pé de plantação, por falta d'água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão...” e assim cantou, e representou tão bem os nordestinos, pernambucanos e sertanejos, o bom, e velho Luíz Gonzaga, que como disse Euclides da Cunha, antes de tudo, foi forte. Sofreu e chorou, mas lutou, e não desistiu. E assim é o sertanejo. Não desiste da vida, mas encontra força na esperança, e muitos vencem. Por que também são fortes.  Fortes, como mandacaru, que alimenta, embeleza com suas flores, e às vezes cura. Tão forte, que resiste as secas, mesmo as mais intensas e duradouras.    

 Leila Lima

terça-feira, 15 de março de 2011

Meus 17

Hoje tive velhas lembranças, de meu tempo de criança, o qual não tinha o que me preocupar, e lembrei também de como cresci tão rápido, e veio àquela vontade avassaladora de voltar atrás, de viver tudo de novo, mudando apenas uma coisa: ter aproveitado muito mais... Lembrei de todas as histórias, todos os fatos que aconteceram comigo, e imperceptivelmente cada detalhe foi vindo a minha memória. Via a minha imagem brincando na chuva, admirando cada gota que caía do céu, a minha imagem brincando no quintal de casa, me sujando na lama, ou brincando de boneca. Vi o paquerinha de infância, e até o primeiro namorado. Vi a dor de uma separação, vi decepções, e pessoas que há muito tempo saíram da minha vida, e outras que ainda hoje, são aminha própria vida, e das que entraram, pra ficar. Admirei-me, pois já não era com os olhos cheios de lágrimas, que lembrava de tudo isso. Admirei-me, por que vi que cada sorriso, cada brilho no olhar, todas as vontades, realizadas ou não, cada história que vivi, e todas essas experiências construíram o meu eu. Dona de todas essas histórias, e de personalidade moldada ao longo do tempo. Dona de um orgulho imenso, de um amor e carinho gigantesco, que se apega quando ama, e se entrega, que não trata com prioridade quem a trata como opção, e que principalmente, não precisa do julgamento, da opinião de ninguém, para serfeliz. Por que isso, não consegui ao longo desses 17 anos. Afelicidade? Essa nasceu dentro de mim, no dia 15 de março de 1994.